Startups lançam os primeiros larvicidas domésticos contra o mosquito da zika
03 de março de 2016

Os produtos, feitos à base de um agente biológico, serão vendidos por varejistas como Walmart e Telhanorte.

Duas startups – uma incubada na USP, outra que fica em Porto Algre (RS) – estão levando ao mercado os primeiros larvicidas domésticos para combater o Aedes aegypti, mosquito transmissor do vírus zika, da dengue e da febre chikungunya.
A BR3, da USP, desenvolveu um tablete que, dissolvido na água, impede que o inseto se reproduza no local por 60 dias. O DengueTech começa a ser vendido na próxima semana em lojas da Telhanorte, um homecenter presente em São Paulo, Paraná e Minas Gerais. O produto também será comercializado pelo site da varejista, com entrega nacional. Uma embalagem com dez comprimidos, cada um capaz de agir em 50 litros de água, vai custar R$ 39 – ou seja, cada dose sai por R$ 3,90.

"É uma tecnologia pronta e que pode ser massificada na velocidade que a epidemia de zika exige", afirma Rodrigo Perez, fundador da BR3.

O DengueTech utiliza um inseticida biológico – um microorganismo – conhecido pela sigla BTI, que mata as larvas do Aedes aegypti. Ao contrário dos inseticidas químicos, amplamente usados no combate ao mosquito, o BTI não induz o inseto a criar resistência ao princípio ativo, afirma Perez. Além disso, ele é considerado seguro para ser manuseado pela população, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Esses fatores permitiram a criação de um produto que pode ser vendido no varejo.

Duas décadas atrás, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) criou a fórmula que daria origem ao DengueTech. Há cinco anos, a BR3 assinou um acordo para usar, de forma exclusiva, as patentes da fundação relativas a essas pesquisas. Desde então, a startup conseguiu aumentar em 700% a eficiência da tecnologia, além de tê-la transformado em um produto comercial. Em outubro passado, a empresa obteve da Anvisa a primeira licença para vender um biolarvicida doméstico.

No mês seguinte, a startup gaúcha Neovech conseguiu a mesma autorização da agência sanitária. No início do ano, a empresa passou a vender um produto similar ao DengueTech, chamado Biovech. O Biovech também usa o BTI, porém é comercializado em frascos – ou seja, na forma líquida, não em tablete. O produto precisa ser borrifado sobre os possíveis criadouros a cada sete dias.

O Biovech já começou a ser vendido pela rede Walmart, em nível nacional. O produto também está sendo distribuido pela varejista gaúcha Zaffari. Os pedidos iniciais foram de 58 mil frascos para o Walmart e cerca de 13 mil unidades para o Zaffari. Os frascos custam, em média, R$ 38. "Para uma família média, um frasco dura cerca de um mês", diz Fernando Kreutz, fundador da empresa.

A Neovech é controlada pelo grupo FK Biotech, que atua na área de biotecnologia desde os anos 1990. O grupo afirma ter trabalhado por 11 anos nas pesquisa que deram origem ao Biovech. Assim, a companhia criou uma linha de pesquisa própria, que não depende das patentes da Fiocruz. "Temos dois pedidos próprios de patente relativos a esse produto", afrma Kreutz.

Na USP, a BR3 afirma ter capacidade de produzir 2 milhões de doses de DengueTech ao ano, suficientes para atender 500 mil pessoas. "Agora que assinamos o contrato com a Telhanorte, nossa operação se torna de fato comercial. Em um ano, seria viável aumentar essa capacidade produtiva para até 50 milhões de doses anuais", afirma Perez. A BR3 é hoje a maior startup abrigada no CIETEC, a incubadora de empresas da USP. Ela ocupa uma área de 600 m2 no local e tem 23 funcionários, dos quais oito são biólogos.

Nas últimas semanas, representantes do Ministério da Saúde, além de autoridades sanitárias dos estados de São Paulo e Pernambuco, conversaram com o fundador da BR3 a respeito do DengueTech. A Neovech também tem mantido reuniões com secretarias de saúde, para desenvolver um teste rápido de detecção do zika.

O microorganismo BTI é usado há pelo menos vinte anos no combate a mosquitos transmissores de doenças. Na África, ele ajudou a controlar uma epidemia conhecida como Cegueira dos Rios. Em janeiro, o biolarvicida foi utilizado – através de borrifadores – no município de Bebedouro (SP), onde praticamente zerou o número de casos de dengue, naquele mês.

O Aedes é encontrado em 3% das casas visitadas pelos agentes públicos que combatem o mosquito. Nas últimas décadas, o inseto passou a viver majoritariamente dentro de residências, o que tornou mais complexa a eliminação dos criadouros. "Por isso, esse tipo de tecnologia pode ser importante no combate ao vetor", diz Perez.

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